Sola Cosmetics: como uma empreendedora criou sozinha uma marca de creme para os pés que atende o Brasil todo

Out 30, 2026 / 6 min Ler
Sola Cosmetics: como uma empreendedora criou sozinha uma marca de creme para os pés que atende o Brasil todo

“É um desejo profundo que eu tenho desde pequena. Eu sempre dizia para as pessoas: ‘Um dia, vou ter o meu próprio negócio’”, conta Fernanda Ito Toda, fundadora da Sola Cosmetics.

Depois de se formar em engenharia química, ela estava prestes a criar uma marca de sabonetes artesanais, mas acabou percebendo que não sabia o suficiente para tirar a ideia do papel e, por isso, seria mais seguro começar adquirindo experiência em outras empresas. Fernanda entrou para uma consultoria de gestão e, mais tarde, passou a trabalhar com desenvolvimento de produtos digitais em uma empresa aceleradora de startups.

Cada oportunidade trazia um novo aprendizado, mas, ao mesmo tempo, mantinha seu sonho guardado na gaveta – até que um projeto de startup em que ela trabalhou por um ano perdeu os investidores e fechou as portas.

“Era hora de criar coragem e finalmente apostar em mim mesma”, relembra. “Se eu não fosse atrás desse sonho, seria uma pessoa frustrada, sempre em outros lugares pensando: ‘Se eu tivesse a minha própria empresa, faria as coisas deste jeito’.”

Acontece que tomar essa decisão foi apenas o primeiro desafio que Fernanda enfrentou ao criar a Sola Cosmetics.

Da ideia ao produto finalizado em nove meses

Fernanda sempre foi apaixonada por cosméticos e admirava quem conseguia transformar uma dificuldade pessoal em um empreendimento. Mas ela não conseguia encontrar a sua.

“Eu pensava: bom, eu não tenho nenhum problema. Sou perfeita”, brinca.

Até que ela se lembrou do problema recorrente dos calcanhares ressecados e rachados. Nenhum dos produtos que ela tinha testado resolvia a questão por completo nem era agradável de usar. Se eu tenho esse problema há tanto tempo, pensou, outras pessoas também devem ter.

Fernanda nunca tinha trabalhado no setor de beleza, mas, como engenheira química, teria plena capacidade de compreender a ciência por trás das fórmulas. No início de 2025, perguntou ao ChatGPT por onde começar e transformou a resposta em uma lista de tarefas.

Primeiro, ela verificou a demanda dos cremes para os pés no Google e no seu perfil pessoal do Instagram. Muitos dos seus seguidores confirmaram que tinham o mesmo problema, e alguns aceitaram receber amostras para testes.

Com a demanda validada, Fernanda passou a pesquisar as substâncias mais eficazes usadas em cremes para os pés ao redor do mundo. Ela escolheu ureia para hidratação e ácido salicílico para remover a pele morta, além de centella asiática, um ingrediente muito popular nos produtos de skincare coreanos que ajuda na cicatrização da pele.

A partir daí, ela partiu para aprender cada processo do negócio na prática. Em cada etapa, a ideia era conversar com pelo menos três empresas do ramo sobre tudo o que era necessário para seguir com o projeto, como a produção do creme em si ou as embalagens.

Cada conversa ampliava ainda mais os horizontes de Fernanda e contava um pouco mais sobre o funcionamento do setor. E, para coroar, um desses contatos levou a empreendedora até um fabricante que aceitou o desafio de iniciar a produção do creme em pequena escala.

Junto com o fabricante, ela passou a desenvolver e aprimorar a fórmula do creme para os pés da Sola. Quatro versões foram testadas por ela mesma e por 21 voluntários até que, na última, o produto foi aprovado. A fórmula definitiva, hoje disponível no mercado, não tem fragrância, absorve rapidamente e deixa um toque aveludado nos pés.

Montando a loja virtual à espera do aval da Anvisa

Em setembro de 2025, o primeiro lote do creme para pés da Sola chegou à casa de Fernanda. Ao abrir as caixas, ela viu, pela primeira vez, o seu produto final, com o nome da marca estampado nas embalagens especialmente pensadas para ele.

“É como se fosse o meu bebê”, diz. “Levou nove meses para nascer, eu fiquei muito empolgada.”

Mesmo com o produto em mãos, ela ainda não podia lançar a marca: os testes de segurança exigidos pela Anvisa estavam demorando mais do que o esperado, e nada podia ser feito para acelerar o processo. Ela já tinha decidido adiar o lançamento de julho para novembro.

Enquanto aguardava a aprovação, Fernanda foi construindo uma casa na internet para o seu bebê. Até então, ela usava apenas o Instagram para divulgar a Sola, mas tinha consciência de que apenas seus seguidores não seriam suficientes para sustentar o empreendimento: as pessoas precisavam de um lugar para comprar o produto em si.

Com isso em mente, entre agosto e outubro, ela montou sozinha a loja virtual da Sola. Depois de comparar várias plataformas, Fernanda escolheu a Hostinger – que já conhecia de longa data, principalmente por conta dos preços competitivos.

Com seu conhecimento prévio na área de desenvolvimento de produtos, Fernanda já tinha alguma experiência com a Internet. Na época em que trabalhou com tecnologia, ela acompanhou de perto o trabalho de engenheiros de software e tinha conhecimentos básicos, por exemplo, sobre como um site se conecta a um servidor. Mas aprender a montar uma loja virtual envolve muitos outros aspectos, desde gateways de pagamento e logística até o design.

“Eu criei o site da Sola Cosmetics sozinha usando WordPress e Elementor, aprendendo cada etapa do processo ao longo do caminho”, conta.

Em setembro, ela iniciou a pré-venda do creme para pés, enxergando na espera uma chance de criar mais expectativa entre potenciais clientes. A primeira venda veio antes mesmo de anunciar a loja: um amigo encontrou o site ainda em modo de teste e comprou um creme.

Para quem um dia tinha recuado por não se sentir pronta, aquela primeira venda foi a prova de que dava para começar mesmo antes de tudo estar perfeito.

Recomeçando quando as vendas esfriaram

A Sola chegou oficialmente ao mercado em novembro de 2025. O primeiro dia foi bom, mas, com o tempo, as vendas foram perdendo força.

“Eu pensei: bom, vou viralizar e vender milhões no primeiro ano”, conta Fernanda. “E não foi bem assim.”

Ela não tinha equipe nem um caminho definido a seguir, e precisava garantir as vendas de todo mês sozinha. “Eu tinha um plano até o lançamento. Aí pensei: ok, e agora? Como eu faço as pessoas desejarem o meu produto?”

Com isso em mente, Fernanda passou a explorar ideias para movimentar as vendas, usando o ChatGPT como parceiro de brainstorming. Uma das respostas foi aprimorar a própria loja virtual.

O tema pronto que ela tinha comprado para a primeira versão da loja era pesado e deixava o site lento. Por isso, em maio de 2026, ela refez o site do zero usando um tema padrão do WordPress.

Dessa vez, ela apostou mais na ajuda da IA, enviando ao ChatGPT capturas de tela do que queria mudar e pedindo que ele a guiasse em cada etapa.

“Se não fosse a IA, acho que não teria conseguido criar a Sola do jeito que foi, na velocidade que foi”, diz.

Com a troca do tema, a loja virtual ficou mais leve, e Fernanda ainda teve chance de repensar o design do site com base nos hábitos de compra de potenciais clientes. Ela aproveitou a mudança para incluir fotos de “antes e depois”, uma explicação mais aprofundada sobre o produto e depoimentos de clientes.

Na mesma época, Fernanda também passou a investir em anúncios pagos para ampliar o alcance da Sola. Como a loja vendia apenas um produto, ela criou também kits promocionais com dois e três cremes para aumentar o valor do ticket médio.

Depois que o novo site e os anúncios pagos entraram no ar, em maio de 2026, o número mensal de pedidos online praticamente quadruplicou. Em agosto, a loja já estava vendendo cerca de seis vezes mais unidades do que em maio. O ticket médio também subiu 18%, e as vendas de kits quase dobraram.

Apostando no offline para crescer no online

O site não foi a única coisa que Fernanda mudou: ela também abriu mão de uma convicção que mantinha desde o primeiro dia.

“Eu acreditava que ia crescer só no online”, diz. “Depois entendi que precisava aparecer pessoalmente para que as pessoas me conhecessem melhor e testassem o creme.”

Com isso, Fernanda começou a levar a Sola para feiras e exposições. Nos stands, as pessoas puderam, de fato, testar o creme e perceber as diferenças dele em relação aos concorrentes. A oportunidade de experimentar o produto ali, na hora, criou um público mais disposto a comprar os cremes de Fernanda do que quem só dava uma olhada no site.

Além disso, cada evento incluía um sorteio de cremes. Os participantes só precisavam começar a seguir a Sola no Instagram, o que colocou mais pessoas no alcance dos anúncios da empresa.

O impacto desses canais – tanto online quanto offline – passou a aparecer nos números: o contato pessoal com os clientes gerou confiança, e o site levou essa confiança a todos os estados do Brasil.

As vendas online, que antes representavam apenas 20% do faturamento da Sola, hoje representam dois terços do total, e 96% dos compradores do site são novos clientes. Fernanda nota que já viu clientes pagarem até R$ 90 de frete por um creme que custa menos que isso.

“Eu pensei: meu Deus”, diz. “Se as pessoas querem um produto, elas realmente pagam por ele.”

Ainda é só o começo

Por ora, Fernanda planeja crescer com seu único produto enquanto explora parcerias com o varejo e pensa no que criar em seguida. Seja qual for o próximo passo, o site próprio vai continuar no centro da estratégia.

“O site é essencial para a Sola Cosmetics porque é lá que a venda realmente acontece”, afirma. “A Hostinger me dá uma base sólida para continuar fazendo minha marca crescer, ampliar meu portfólio de produtos e desenvolver novos canais de venda.”

Quase um ano depois de lançar a Sola Cosmetics, Fernanda admite que ainda tem dúvidas. Ela ainda compara a vida de empreendedora aos anos em que trabalhou em outras empresas. Nem todo dia é cheio de certezas, mas ela aprendeu a lidar com isso.

“Comecei a acreditar que já estou tendo sucesso, porque estou vivendo o que sempre quis viver. Se, mesmo com as dificuldades, você ainda quer continuar e ainda tem um propósito, então tem que seguir em frente.”

A Sola pode ser um projeto solo, mas Fernanda não seguiu em frente sozinha: sua mãe e irmã são sua rede de apoio, e ambas sabem que esse era o sonho que ela nutria desde a infância.

Sempre que Fernanda pensava em desistir, eram elas que diziam: “É só o começo. As coisas são assim mesmo. Se você quer de verdade, tem que persistir.”

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Bruno is a Content Writer at Hostinger, focused on creating and optimizing helpful, engaging articles about web development and marketing. With a background in journalism, he combines storytelling with practical insights to make complex topics easier to understand. He has also contributed to publications like MacMagazine and Jornal A Tarde. Outside of work, Bruno enjoys exploring art, cooking, and technology.

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