Estatísticas de vibe coding em 2026: utilização, produtividade e segurança

Criado por Andrej Karpathy em fevereiro de 2025 e eleito Palavra do Ano pelo Collins Dictionary, o termo vibe coding descreve a criação de software por meio de prompts em linguagem natural para IA, com pouca ou nenhuma escrita manual de código. Na prática, ele cobre um espectro amplo: de aplicações inteiramente geradas por IA por pessoas sem formação técnica até fluxos de trabalho assistidos por IA usados por engenheiros profissionais.

Os dados de utilização mostram a força desse movimento. Hoje, 84% dos desenvolvedores globais já usam ou planejam usar ferramentas de IA para programar. Grandes empresas de tecnologia geram entre 30% e 90% do código novo com IA. E o Brasil aparece na liderança global de adoção corporativa, com 21,7% dos tomadores de decisão de TI usando vibe coding para criar agentes de IA.

Principais estatísticas de vibe coding para 2026

Das pesquisas com desenvolvedores às teleconferências de resultados das Big Techs, os dados apontam para a mesma direção: o vibe coding deixou de ser um experimento de nicho e virou uma prática comum em menos de dois anos.

  1. O Brasil é o país número 1 do mundo em adoção corporativa de vibe coding: 21,7% dos tomadores de decisão de TI usam a prática para construir agentes de IA, acima dos EUA (15,4%) e do Reino Unido (8,2%).
  2. 84% dos desenvolvedores globais usam ou planejam usar ferramentas de IA para programação, acima dos 76% registrados em 2024.
  3. O uso de IA por empresas industriais brasileiras com 100 ou mais funcionários mais que dobrou: passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024.
  4. Grandes empresas de tecnologia geram entre 30% e 90% do código novo com IA, dependendo da organização e do método de medição.
  5. Código gerado por IA produz cerca de 1,7x mais problemas do que código escrito por humanos, incluindo mais vulnerabilidades de segurança.
  6. 45% das amostras de código gerado por IA falham em benchmarks de segurança baseados no OWASP Top 10. Em Java, a taxa de falha passa de 70%.
  7. A confiança dos desenvolvedores na precisão do código gerado por IA caiu de cerca de 40% em 2024 para apenas 29% em 2025, mesmo com a adoção continuando a crescer.
  8. 63% dos usuários de vibe coding não são desenvolvedores. Ou seja, criar software deixou de ser uma tarefa exclusiva de engenheiros.
  9. O mercado global de ferramentas de IA para código deve chegar a aproximadamente R$ 111,5 bilhões até 2030, com crescimento de cerca de 24% ao ano.
  10. O Gartner prevê que 40% do software novo de produção corporativa será criado com técnicas de vibe coding até 2028.

Vibe coding no Brasil: o país que mais adotou a prática no mundo

O Brasil ocupa uma posição única no mapa global do vibe coding. Enquanto o debate em outros países ainda gira em torno de quando e como adotar essa prática, as empresas brasileiras já estão colocando a tecnologia para trabalhar.

Segundo o Jitterbit AI Automation Benchmark 2026, conduzido pela Censuswide com 501 tomadores de decisão de TI no Brasil, 21,7% dos executivos brasileiros de tecnologia usam plataformas de vibe coding para criar agentes de IA. Esse resultado coloca o Brasil à frente dos EUA (15,4%) e do Reino Unido (8,2%) em adoção corporativa.

  • 63,1% dos executivos brasileiros apontam TI e codificação como a função em que a IA mais entrega valor de negócio atualmente, quase 20 pontos percentuais acima dos EUA (52,2%) e do Reino Unido (42,7%) (Jitterbit).
  • 49,3% das empresas brasileiras pesquisadas apontam o aumento da produtividade do desenvolvedor como principal motivador estratégico para investir em IA, quase o dobro da taxa do Reino Unido (24,8%) (Jitterbit).
  • 43,1% dos tomadores de decisão de TI brasileiros esperam alto ROI em IA nos próximos 12 meses, a maior taxa entre os países pesquisados e quase 10 pontos acima dos concorrentes (Jitterbit).
  • 82,6% das empresas brasileiras de tecnologia ampliaram o uso de ferramentas de IA em 2025, mas apenas 31,5% atingiram alto nível de maturidade na aplicação da tecnologia (BossaBox).
  • 78% das empresas brasileiras pesquisadas planejam aumentar seus investimentos em IA, 95% relatam progresso em suas estratégias e 48% já observam ROI positivo (IBM).
  • Os investimentos em agentes de IA no Brasil devem ultrapassar R$ 3,4 bilhões em 2026, crescimento acima de 30% em relação a 2025. As empresas devem direcionar cerca de um terço de seus orçamentos de IA para agentes inteligentes (Convergência Digital).
  • O Brasil é o maior mercado de IA da América Latina, respondendo por aproximadamente R$ 21,1 bilhões, ou 41,7% do mercado regional em 2026. A região deve crescer 3,8x entre 2025 e 2029, com CAGR de 39,7% (Tele.síntese).
vibe coding em 2026 - adoção por país

A principal tensão dos dados brasileiros é clara: o país adota a tecnologia em ritmo acelerado, mas a maturidade na execução ainda está em construção. Apenas cerca de um terço das empresas atingiu alto nível de maturidade, o que mostra que muitas organizações já usam ferramentas poderosas, mas ainda precisam fortalecer processos e governança para extrair valor de forma sustentável.

Ferramentas como a Hostinger Horizons surgem nesse contexto como uma porta de entrada acessível para pessoas que querem criar aplicações sem depender de times técnicos sobrecarregados.

Quantos desenvolvedores estão usando vibe coding?

A adoção de ferramentas de IA para código já é quase universal entre desenvolvedores profissionais. Hoje, o modelo mais comum é a programação assistida por IA: o desenvolvedor continua escrevendo código, mas usa sugestões da IA dentro do fluxo de trabalho tradicional.

Já o vibe coding em sentido mais restrito, ou seja, gerar software inteiro por prompts, sem escrever código manualmente, ainda é uma prática menor, mesmo entre quem usa ferramentas de IA todos os dias.

  • 84% dos desenvolvedores usam ou planejam usar ferramentas de IA, acima dos 76% registrados em 2024. Entre profissionais, 50,6% usam IA diariamente e 17,7% semanalmente (Stack Overflow).
  • 85% dos desenvolvedores usam regularmente ferramentas de IA para codificação. Além disso, 62% dependem de pelo menos um assistente, agente ou editor de código com IA (JetBrains State of Developer Ecosystem).
  • 90% dos desenvolvedores usam regularmente pelo menos uma ferramenta de IA no trabalho, segundo dados de janeiro de 2026, acima dos 85% registrados em meados de 2025 (JetBrains AI Pulse Survey).
  • Quase 80% dos novos desenvolvedores do GitHub usaram o Copilot na primeira semana, entre os mais de 36 milhões de usuários que entraram na plataforma no último ano (GitHub Octoverse).
  • 77% dos desenvolvedores dizem que vibe coding, no sentido de criar software inteiro por prompts, ainda não faz parte do fluxo de trabalho profissional. O uso de ferramentas de IA é quase universal, mas o vibe coding puro continua sendo uma prática minoritária (Stack Overflow).
  • 89% dos desenvolvedores usam IA generativa diariamente: 68% para melhorar a qualidade do código e 56% para encontrar erros (Postman State of the API Report).
  • A adoção de IA entre empresas acelera em todos os setores: 78% das companhias já usam ou estão explorando a tecnologia. Além disso, os investimentos globais em IA chegaram a cerca de R$ 1 trilhão em 2025, criando o cenário ideal para a expansão das ferramentas de IA para código (Estatísticas de IA da Hostinger).

Ferramentas de vibe coding: uso e participação de mercado

O mercado de ferramentas se divide em dois segmentos principais: editores de código com IA, voltados a desenvolvedores profissionais, e construtores de aplicativos com IA, criados para pessoas sem formação técnica. Os dois grupos cresceram muito em 2025, com startups atingindo avaliações bilionárias em poucos meses.

Editores de código com IA para desenvolvedores

  • O GitHub Copilot ultrapassou 20 milhões de usuários, com crescimento anual de 75%, 4,7 milhões de assinantes pagos e presença em 90% das empresas da Fortune 100 (TechCrunch).
  • 46% do código escrito por usuários do Copilot é gerado por IA, acima dos 27% registrados no lançamento da ferramenta. Em projetos Java, esse percentual chega a 61% (GitHub).
  • A Cursor, da Anysphere, atingiu avaliação de mercado de cerca de R$ 147,2 bilhões. Sua receita recorrente anual cresceu de aproximadamente R$ 5 milhões no final de 2023 para mais de R$ 5 bilhões em novembro de 2025, com 50 mil clientes empresariais (CNBC).
  • O Claude Code processa 195 milhões de linhas de código por semana e contava com 115 mil desenvolvedores ativos em julho de 2025 (Anthropic).
  • O OpenAI Codex ultrapassou 4 milhões de desenvolvedores ativos por semana em abril de 2026. Times corporativos da Virgin Atlantic, Notion, Ramp e Cisco usam a ferramenta para cobertura de testes e resposta a incidentes (OpenAI). Quem constrói com o Codex e quer colocar o projeto no ar pode hospedar diretamente na hospedagem Codex da Hostinger.

Construtores de aplicativos com IA para não-desenvolvedores

  • A Lovable captou cerca de R$ 1,7 bilhão, chegando a uma avaliação de mercado de aproximadamente R$ 33,1 bilhões em dezembro de 2025. A empresa atingiu cerca de R$ 502 milhões em receita recorrente anual em oito meses e dobrou esse número para aproximadamente R$ 1 bilhão quatro meses depois. Usuários já criaram mais de 25 milhões de projetos (TechCrunch).
  • A Replit captou cerca de R$ 2 bilhões, chegando a uma avaliação de mercado de aproximadamente R$ 45,2 bilhões em março de 2026. A avaliação triplicou em seis meses. A empresa registrou cerca de R$ 1,2 bilhão em receita em 2025 e tem meta de chegar a aproximadamente R$ 5 bilhões em receita recorrente anual até o final de 2026 (TechCrunch).
  • A Hostinger Horizons chegou a 1 milhão de usuários em seu primeiro ano. Entre os projetos criados estão sites empresariais e portfólios (49%), lojas virtuais (10%) e painéis e ferramentas SaaS (5%).

O mercado de ferramentas de vibe coding funciona em duas camadas, com públicos bem diferentes. De um lado, editores de código com IA ajudam desenvolvedores que trabalham em bases de código reais. Do outro, construtores de aplicativos com IA atendem pessoas que querem criar sem escrever código. As ferramentas que mais crescem estão capturando esses dois segmentos, mas cada uma resolve problemas com níveis de complexidade técnica bem distintos.

Quanto código é gerado por IA em 2026?

As Big Techs começaram a divulgar publicamente a proporção de código gerado por IA em suas teleconferências de resultados de 2025. Os números chamam atenção, mas precisam ser lidos com cuidado. Cada empresa mede uma métrica diferente: linhas aceitas de sugestões, commits com assistência de IA ou caracteres autocompletados.

Apesar dessa diferença, a direção é a mesma em todos os casos: a participação da IA na produção de código está crescendo.

De acordo com as estatísticas de uso de IA da Hostinger, 71% das organizações já usam IA generativa regularmente em pelo menos uma função de negócio, acima dos 33% registrados em 2023. Esse movimento corporativo ajuda a explicar o crescimento da geração de código por IA em diferentes indústrias.

  • Google: mais de 30% do código novo é gerado por IA, acima dos 25% registrados em outubro de 2024, segundo confirmação do CEO na teleconferência de resultados do Q1 2025 da Alphabet (Entrepreneur).
  • Microsoft: entre 20% e 30% do código em alguns repositórios é escrito por IA, com variação conforme a base de código (CNBC).
  • Anthropic: entre 70% e 90% do código da empresa é gerado por IA. Pelo menos um líder técnico relatou que 100% do seu código pessoal é escrito por IA (Fortune).
  • 25% das startups do Y Combinator Winter 2025 têm bases de código com 95% ou mais geradas por IA (TechCrunch).
  • 29% das funções Python em repositórios no GitHub nos EUA eram geradas por IA ao final de 2024, segundo análise de mais de 30 milhões de commits. Na França, o percentual era de 24%. Na Alemanha, 23%. Na Índia, 20% (Science).

Mesmo nas organizações mais avançadas em IA, revisão e direcionamento humano continuam sendo essenciais. Os percentuais divulgados pelas Big Techs mostram uma tendência, não uma transferência completa de responsabilidade. O desenvolvedor ainda é quem valida, integra e responde pelo código que chega à produção.

Vibe coding melhora a produtividade?

Essa é a dimensão mais debatida. Estudos controlados mostram resultados que vão de uma aceleração de 55% a uma queda de 19% na produtividade, dependendo do tipo de tarefa, da experiência do desenvolvedor e da complexidade da base de código.

Os dados abaixo mostram os dois lados dessa discussão.

dados do vibe coding e produtividade

Resultados positivos

  • 55,8% mais rápido: desenvolvedores usando IA concluíram uma tarefa de servidor HTTP em JavaScript em 71 minutos, contra 161 minutos sem IA. Esse é um dos dados de produtividade mais citados na literatura sobre IA para código (ArXiv).
  • 26% de aumento em tarefas concluídas em um estudo controlado randomizado com 4.867 desenvolvedores. O estudo também mostrou alta de 13,55% em commits e de 38,38% em builds de código entre times assistidos por IA (MIT).
  • 21% mais rápido no estudo controlado interno do Google: cerca de 100 engenheiros concluíram uma tarefa multi-arquivo em 96 minutos com IA, contra 114 minutos sem IA (IEEE Xplore).
  • 67% de aumento em pull requests mesclados por engenheiro por dia, segundo pesquisa interna da Anthropic com 132 engenheiros após a adoção do Claude Code. A produtividade autorreportada subiu 50% (Anthropic).

Resultados mistos ou negativos

  • Desenvolvedores experientes foram 19% mais lentos com ferramentas de IA. O estudo controlado analisou 16 desenvolvedores open source experientes trabalhando em bases de código com mais de 1 milhão de linhas. O dado mais curioso é que eles previram que seriam 20% mais rápidos e, ao final do estudo, ainda acreditavam ter sido mais rápidos (METR).
  • Sem melhora significativa no cycle time de pull requests, mas com aumento de 41% em bugs em um estudo observacional com cerca de 800 desenvolvedores após a adoção do Copilot (Uplevel).
  • A análise de mais de 30 milhões de commits do GitHub mostrou aumento de 3,6% no output trimestral de código. Desenvolvedores experientes capturaram quase todos os ganhos, enquanto profissionais em início de carreira não apresentaram benefício significativo (Science).

A leitura mais honesta dos dados é esta: ferramentas de IA aceleram tarefas simples, bem definidas e feitas em bases de código organizadas, especialmente quando o problema está claro e o contexto cabe dentro de um prompt.

Em sistemas complexos e maduros, o tempo gasto para revisar, entender o que a IA gerou, corrigir erros e integrar o código à arquitetura existente pode reduzir ou até anular o ganho inicial. O benefício existe, mas depende muito de quem usa a ferramenta e do tipo de projeto.

Dica do especialista

O fator mais importante não é a ferramenta, mas o processo de revisão ao redor dela. Times que tratam o código gerado por IA como um rascunho inicial, sempre sujeito ao julgamento humano, tendem a ver ganhos reais. Times que tratam esse código como produto final acumulam problemas que só aparecem mais tarde. - Tomas Rasymas, Diretor de IA da Hostinger

Vibe coding e qualidade de código: bugs, segurança e confiança

Gerar código mais rápido tem um custo documentado. Código gerado por IA tende a apresentar mais vulnerabilidades, mais erros lógicos e mais problemas de manutenção. Os dados mostram que os desenvolvedores sabem disso, mas continuam usando as ferramentas mesmo assim.

Esse é o paradoxo da confiança, um dos pontos mais importantes para entender o impacto real do vibe coding.

Qualidade e segurança do código

  • Pull requests gerados por IA têm 1,7x mais problemas do que os escritos por humanos. Problemas de lógica e correção sobem 75%, vulnerabilidades XSS são 2,74x maiores e problemas de legibilidade são 3x mais frequentes, segundo análise de 470 pull requests open source no GitHub (Business Wire).
  • 45% das amostras de código gerado por IA falham em benchmarks de segurança baseados nas categorias do OWASP Top 10. Em Java, a taxa de falha passa de 70%. O teste analisou mais de 100 LLMs em Java, Python, C# e JavaScript (Veracode).
  • Assistentes de IA para código produziram 10x mais achados de segurança por mês até junho de 2025, em comparação com a linha de base de dezembro de 2024, em uma empresa da Fortune 50. Caminhos de escalada de privilégio subiram 322%, e falhas de design arquitetural aumentaram 153% (Apiiro).
  • Cerca de 30% dos trechos de código do Copilot em projetos no GitHub contêm fraquezas de segurança, cobrindo 43 categorias da CWE, com oito delas presentes na CWE Top 25 (ACM Digital Library).
  • Desenvolvedores que usaram ferramentas de IA escreveram código menos seguro do que os que não usaram e, ao mesmo tempo, relataram maior confiança na segurança do código produzido (ACM Digital Library).

Confiança dos desenvolvedores

  • A confiança dos desenvolvedores na precisão do código gerado por IA caiu de cerca de 40% para 29% em um ano. A percepção favorável sobre IA seguiu a mesma tendência, saindo de mais de 70% em 2023 e 2024 para 60% em 2025 (Stack Overflow).
  • A desconfiança supera a confiança: 46% desconfiam ativamente das ferramentas de IA, contra 33% que confiam. Apenas 3% relatam alta confiança. Desenvolvedores experientes são os mais céticos: só 2,6% confiam muito, enquanto 20% desconfiam muito (Stack Overflow).
  • 96% dos desenvolvedores não confiam plenamente que o código gerado por IA esteja funcionalmente correto, mas apenas 48% sempre revisam esse código antes de fazer commit. Além disso, 61% concordam que a IA produz código que parece correto, mas não é confiável. Dentro desse mesmo grupo, 82% dizem que a ferramenta os ajuda a programar mais rápido (Sonar State of Code Developer Survey).

O paradoxo da confiança mostra algo mais profundo do que os percentuais sugerem: desenvolvedores sabem que o código gerado por IA exige revisão, mas nem sempre revisam de forma consistente. Ainda assim, continuam usando as ferramentas porque a velocidade compensa.

No Brasil, esse ponto ganha ainda mais peso. Entre os tomadores de decisão de TI brasileiros, 43,7% citam segurança e compliance como o principal obstáculo para levar projetos de IA à produção. Isso sugere que o problema já é reconhecido no nível executivo, mesmo que ainda esteja em fase de resolução na prática.

Dica do especialista

Desenvolvedores que mantêm curiosidade sobre o código que não escreveram são os que usam ferramentas de IA com mais responsabilidade. Isso significa perguntar por que a IA fez determinada escolha de implementação, e não apenas se o código funciona. Código seguro não é só uma checklist. É um hábito de atenção, e esse hábito ficou ainda mais importante. - Yuliia B., Especialista em segurança e conformidade na Hostinger

Quem está fazendo vibe coding? Perfil e padrões de adoção

Vibe coding não é só uma história de desenvolvedores. A maioria dos usuários de plataformas baseadas em prompt não tem formação técnica. Esse dado mostra tanto as oportunidades quanto as tensões criadas pela tecnologia.

  • 63% dos usuários de vibe coding não são desenvolvedores e estão criando produtos e ferramentas sem formação em programação (Vercel).
  • A região APAC lidera a adoção global de vibe coding, com 40,7%. A Índia sozinha representa 16,7% do uso global, seguida por Japão, Paquistão e Indonésia (Vercel).
  • Desenvolvedores full-stack são os maiores usuários de ferramentas de IA para código (32,1%), seguidos por frontend (22,1%) e backend (8,9%) (Vercel).
  • Desenvolvedores sênior, com mais de 10 anos de experiência, relatam ganho de produtividade de 81% com IA. Já desenvolvedores juniores não mostram melhora mensurável significativa de output (Science).
  • O emprego de desenvolvedores de software entre 22 e 25 anos caiu quase 20% desde o pico do final de 2022 até julho de 2025, o que indica que a IA pode estar afetando com mais força as contratações de nível inicial (Stack Overflow).
  • Desenvolvedores em formação confiam mais na precisão da IA do que profissionais (49% contra 42%), o que sugere que novos desenvolvedores podem aceitar o output da IA com menos revisão crítica (Stack Overflow).
usuários de vibe coding

O vibe coding está ampliando o acesso ao desenvolvimento de software. Não-desenvolvedores representam a maioria dos usuários, enquanto regiões como APAC e países como o Brasil lideram a adoção global.

Ao mesmo tempo, os dados revelam uma tensão importante: desenvolvedores juniores não capturam os mesmos ganhos de produtividade que os sêniores, e o emprego de nível inicial está caindo. A tecnologia abre a porta para mais pessoas criarem software, mas também eleva o nível de exigência para quem quer construir carreira na área.

O mercado de vibe coding: tamanho, crescimento e investimento

O venture capital e os gastos empresariais em ferramentas de IA para código chegaram a níveis historicamente altos em 2025. O mercado está sendo construído em tempo real, com startups alcançando avaliações bilionárias em poucos meses. As projeções variam bastante entre consultorias, porque cada estudo usa escopos e metodologias diferentes. Por isso, vale ler esses números como indicadores de direção, e não como previsões exatas.

tamanho do mercado de IA e previsões

Projeções de mercado

  • O mercado de ferramentas de IA para código atingiu cerca de R$ 38,4 bilhões em 2025 e deve chegar a aproximadamente R$ 111,5 bilhões em 2030, com CAGR de 23,8% (The Business Research Company).
  • A Precedence Research projeta crescimento para cerca de R$ 457,5 bilhões até 2035, com CAGR de 27,65%. A América do Norte detém aproximadamente 33% de participação de mercado (Precedence Research).
  • A Markets and Markets estima crescimento de aproximadamente R$ 21,6 bilhões para R$ 63,3 bilhões entre 2023 e 2028, com CAGR de 24% (Markets and Markets).

Investimento em venture capital

  • O tamanho médio das rodadas em startups de IA para código cresceu 71x entre 2022 e 2025: de cerca de R$ 37,2 milhões para aproximadamente R$ 2,7 bilhões por rodada (New Market Pitch).
  • A Cursor captou cerca de R$ 11,6 bilhões na rodada Series D, chegando a uma avaliação de mercado de aproximadamente R$ 147,2 bilhões em novembro de 2025. A receita recorrente anual passou de R$ 10 bilhões no início de 2026 (Crunchbase).
  • Em todo o setor de IA, cerca de R$ 299,4 bilhões foram investidos apenas no Q1 de 2025, o equivalente a 53% do venture capital global. O desenvolvimento de software é a principal vertical de IA agêntica (New Market Pitch).

O futuro do vibe coding

As projeções dos analistas para o vibe coding são otimistas, mas também pedem cuidado. O Gartner prevê que 90% dos engenheiros de software corporativo usarão assistentes de IA até 2028, um salto em relação aos menos de 14% registrados no início de 2024.

Na mesma publicação, o Gartner alerta que abordagens de prompt-to-app feitas por citizen developers podem aumentar os defeitos de software em 2.500% até 2028 sem controles adequados de qualidade e governança. Dois números, uma mesma fonte e uma tensão que resume bem o momento atual. Esse cenário aparece com mais detalhe nas tendências de desenvolvimento de software para os próximos anos.

A Forrester posiciona o desenvolvimento de software como o principal caso de uso de IA em 2026, mas observa que apenas 15% dos tomadores de decisão em IA relataram aumento de EBITDA até agora. A IDC prevê que 40% das funções em empresas do G2000 envolverão trabalho com agentes de IA até 2026, com crescimento de 10x no uso de agentes e de 1.000x na demanda por inferência até 2027.

Esses números apontam para uma transformação estrutural, não apenas para um ciclo de hype.

O ponto de vista mais direto vem das Big Techs. Kevin Scott, CTO da Microsoft, previu que 95% de todo o código será gerado por IA em cinco anos. Caso essa previsão se confirme, o papel do desenvolvedor muda de autor de código para revisor e arquiteto de sistemas gerados por máquina. E os dados de produtividade mostram que essa transição ainda funciona melhor para alguns perfis do que para outros.

O ponto que as projeções ainda não resolvem é a governança. Segundo o Gartner, mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o final de 2027 por ROI incerto e custos elevados. Esse alerta mostra a distância entre o entusiasmo com as ferramentas e a capacidade real das empresas de integrá-las a processos, pessoas e estruturas de custo.

Para o Brasil, onde a adoção é alta, mas a maturidade ainda está em construção, esse dado é especialmente importante: velocidade sem governança deixa de ser vantagem competitiva e vira risco acumulado.

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Author
O autor

Ana Paula

Ana é formada em Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais pela Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia. Atualmente atua como tradutora após 3 anos na equipe de Customer Success da Hostinger. Interessada por tecnologia, viagens, cinema e culinária.

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