Feb 04, 2026
Bruno S.
10min Ler
Quando a Anthropic anunciou as habilidades do Claude (Agent Skills), minha primeira reação foi: “Tá… isso é só um monte de prompts salvos numa pasta? É um recurso de verdade ou só marketing bem feito?”
No post oficial, eles usam termos como “código executável” e “composable”, mas não explicam como isso ajuda alguém como eu – um usuário comum que usa o Claude para criar exemplos de páginas web, reescrever textos de IA para soar mais humano e transformar materiais prontos em apresentações.
Eu queria entender se as Claude Skills realmente melhoram o fluxo de trabalho ou se são só mais uma configuração extra disfarçada de inovação. Então deixei o discurso de lado e fiz um teste prático, do jeito que importa.
Passei algumas horas criando skills personalizadas, comparando os resultados com e sem elas e até combinando várias habilidades na mesma conversa para ver se o Claude conseguia lidar com instruções complexas (e às vezes conflitantes) sem se perder.
Eu fiz o trabalho pesado para você decidir se vale o esforço.dir se vale a pena o esforço.
Muitas ferramentas de IA dependem de system prompts fixos, mas o Claude segue um caminho diferente com as habilidades do Claude (Claude Skills): elas funcionam como pastas que guardam instruções, scripts e recursos que o Claude só carrega quando realmente precisa.
As Claude Skills estão disponíveis para usuários dos planos Pro, Max, Team e Enterprise.para usuários dos planos Pro, Max, Team e Enterprise.
Mas o ponto mais interessante que eu aprendi ao ler a documentação oficial é um conceito chamado progressive disclosure.
Em vez de entupir o contexto com um prompt gigante (tipo 50 páginas de regras), as Skills ficam “adormecidas” em segundo plano como metadados leves – basicamente só um nome e uma descrição.
Ou seja: elas quase não consomem memória até serem usadas.
Uma skill só “acorda” quando você a aciona, seja dizendo explicitamente “Use a skill [nome-da-skill]” ou escrevendo um comando como “Crie uma apresentação”, que ativa automaticamente a skill correspondente.
Essa abordagem economiza tokens e mantém o modelo focado, evitando a chamada deterioração do contexto (context rot), que ocorre quando você força uma ferramenta de IA a ler uma lista enorme de regras para cada interação, e ela se dispersa.
Ao esconder as instruções até o momento certo, o Claude tende a ficar mais “afiado” e menos propenso a se confundir com regras que não têm nada a ver com o que você está pedindo.
Para começar, eu fui em Settings → Capabilities e ativei Code execution e File creation.
Depois, rolei até a seção Skills e vi as skills prontas da Anthropic. Eu habilitei uma delas: brand-guidelines.

Eu também queria criar a minha própria Skill, então abri a documentação sobre como criar skills personalizadas.
Só que o guia era mais complexo do que eu esperava. Ele dizia que eu precisava criar um arquivo SKILL.md, escrever as instruções em Markdown e empacotar tudo dentro de uma estrutura específica de ZIP para o Claude conseguir carregar.

Para usuários comuns, isso é uma barreira bem alta só para testar um recurso novo.
Então eu peguei um atalho. Abri um chat e tentei “ir no improviso”:
Oi! Eu quero criar uma skill personalizada para editar conteúdo escrito por IA e deixar o texto alinhado com meu guia de estilo. Você pode me ajudar com isso?
O Claude não só me deu instruções — ele me entrevistou. Perguntou sobre meu guia de estilo, que tipo de regras eu queria (marketing, técnico ou outra coisa) e minhas preferências de formatação.
Depois que eu expliquei que queria uma Skill para editar frases típicas de texto gerado por IA e colei minhas regras, o Claude gerou um arquivo ai-ism-editor.skill já empacotado direto no chat. Eu cliquei em Save Skill, e ela apareceu na minha lista de Skills na hora.

Isso sim é integração de verdade — sem Markdown, sem upload manual.
A essa altura, eu já tinha duas Claude Skills ativas: brand-guidelines e ai-ism-editor. Mas eu também queria gerar documentos e apresentações.
Eu lembrei da descrição que aparece em Code execution e File creation:
“O Claude pode executar código e criar e editar documentos, planilhas, apresentações…”

Isso me deixou confuso. Eu precisava enviar skills separadas para fazer isso? A documentação não explicava. Então abri outro chat e perguntei:
Se eu quiser gerar um documento ou uma apresentação, eu preciso criar, enviar e ativar novas skills específicas para isso?
Claude respondeu:
Não. Você não precisa criar nem enviar nenhuma skill! Quando você ativa “Code execution”, as capacidades principais para gerar documentos (docx), apresentações (pptx), planilhas (xlsx) e PDFs já vêm embutidas.
FoFoi aí que eu finalmente entendi como as Skills funcionam por dentro:
Para os meus testes, eu já tinha tudo o que precisava: brand-guidelines, ai-ism-editor, docx e pptx.
Primeiro, eu ativei o Extended Thinking e comecei cada tentativa em um chat novo do Claude 4.5 Opus, para evitar “contaminação” de contexto.
Nos dois primeiros testes, eu fiz uma comparação simples de A/B: usei dois prompts quase idênticos – um com a Skill ativada e outro sem.
No teste final, usei um único prompt com todas as Skills ativas para ver como o Claude lidava com instruções que competiam entre si.
O objetivo aqui era criar uma landing page em HTML (arquivo único) para a SmartHome, um termostato inteligente fictício.
Eu usei a Skill brand-guidelines, que inclui regras de paleta de cores, tipografia e estilos de fonte.
Mas eu coloquei uma “pegadinha”: pedi explicitamente para o Claude usar Hot Pink (#FF69B4) como cor de destaque principal, em vez do laranja (#D97757) definido nas minhas diretrizes. Eu queria testar como ele resolve conflito: a Skill seria rígida ou aceitaria a exceção?
Tentativa 1 (sem skills):
Preciso que você crie uma landing page em HTML (arquivo único) para a “SmartHome”, um novo termostato com IA. Use as seguintes diretrizes de marca: [colei o texto completo das brand-guidelines manualmente] Mas, para esta campanha específica, ignore a cor de destaque principal atual e substitua por Hot Pink (#FF69B4) para chamar mais atenção.

O resultado me surpreendeu positivamente. O Claude criou uma página elegante, com fundo escuro. Ele seguiu as diretrizes e, ao mesmo tempo, respeitou a minha exceção.
Botões, destaques, números e efeitos de brilho usaram o rosa como acento, e ficou bem destacado no layout. Ainda assim, ele manteve equilíbrio entre as cores principais da marca, os acentos secundários e os tons terciários.

Ele entendeu perfeitamente o pedido: “siga as regras, exceto esta aqui.”
Em termos de resultado final, não tenho nenhuma reclamação. Mas, em termos de processo, ter que colar o guia de marca inteiro toda vez não é um fluxo de trabalho sustentável.
Tentativa 2 (com skills):
Preciso que você crie uma landing page em HTML (arquivo único) para a “SmartHome”, um novo termostato com IA. Use a skill brand-guidelines. Mas, para esta campanha específica, ignore a cor de destaque principal atual e substitua por Hot Pink (#FF69B4) para chamar mais atenção.

Funcionou, mas o resultado ficou pesado. O Claude aplicou Hot Pink em praticamente tudo – até envolvendo ícones de recursos – e, sinceramente, não ficou tão bom.
Na seção “Ready for Smarter Living?”, ele usou Hot Pink como fundo inteiro, quando eu esperava uma das cores principais da marca (escuro, claro ou cinza).

Tecnicamente, ele seguiu a instrução de override. Mas parece que ele deixou as diretrizes gerais da Skill em segundo plano no processo.
Quando eu colei as regras manualmente, o Claude conseguiu equilibrar o Hot Pink dentro da paleta completa.
Com a skill ativa, ele “puxou” demais para o prompt e aplicou Hot Pink quase em todo lugar, como se a exceção tivesse mais peso do que a própria Skill.
Neste teste, eu pedi para o Claude revisar um artigo de 500 palavras sobre o futuro do trabalho remoto, cheio de “encheção” típica de texto gerado por IA, reescrever tudo de um jeito mais humano e salvar a versão final em um arquivo do Word.
A Skill principal aqui foi a ai-ism-editor, que identifica padrões comuns de frases de IA: aberturas genéricas (“No mundo acelerado de hoje”), verbos grandiosos (“revolucionar”) e metáforas exageradas (“uma tapeçaria vibrante de…”).
Eu também usei a Skill embutida docx para gerar o arquivo.
Meu objetivo era testar a “cadeia de comando”: o Claude consegue aplicar uma transformação de linguagem usando uma Skill (ai-ism-editor) e depois passar o texto editado para uma Skill técnica (docx) sem perder qualidade no caminho?
Tentativa 1 (sem skills):
Preciso editar um artigo. Aqui estão as regras: [colei o texto completo do ai-ism-editor manualmente] Reescreva o texto colado usando as regras acima. Depois de reescrever, gere um arquivo .docx com o novo texto. [colei o rascunho completo do artigo]

Ele fez um trabalho excelente. Removeu as platitudes (“tapeçaria vibrante”, “sinfonia de flexibilidade”) e substituiu por frases diretas. Também seguiu minhas regras de pontuação para evitar travessões longos.
Teve algumas linhas que eu ainda ajustaria manualmente (por exemplo, eu trocaria “assistentes com IA estão começando a…” por “assistentes com IA estão passando a…”), mas isso já é preferência pessoal. O essencial — limpar o texto e deixá-lo mais natural — funcionou exatamente como eu queria.
Tentativa 2 (com skills):
Preciso editar um artigo. Reescreva o texto colado usando a skill ai-ism-editor. Depois de reescrever, gere um arquivo .docx com o novo texto. [colei o rascunho completo do artigo]

Esse resultado me surpreendeu. Eu gostei mais da versão anterior.
Ele removeu os jargões mais óbvios (“mudança de paradigma”, “liberar todo o potencial”), mas deixou passar várias regras mais finas. Eu tinha escrito explicitamente no arquivo da Skill para trocar em dash por vírgula, mas ainda assim três travessões apareceram no texto final.
Ele também dizia que corrigia clichês estruturais do tipo “não é só X — é Y”, mas eu ainda vi frases como:
“Não é só sobre chamadas de vídeo — é sobre criar ambientes…”

Então… foi prático? Sim. Não precisar colar um conjunto enorme de regras toda vez é uma vantagem real. Foi perfeito? Não. A versão com Skill pareceu menos cuidadosa e pulou algumas correções estruturais que eu tinha deixado “travadas” no arquivo.
Funcionou, mas a versão com regras coladas manualmente ficou mais limpa.
No teste final, eu queria criar uma apresentação de cinco slides sobre o futuro do trabalho remoto. Para isso, usei três Skills ao mesmo tempo: brand-guidelines (visual), ai-ism-editor (conteúdo) e pptx (arquivo final).
A ideia era ver se o Claude entende separação de contexto.
Ele conseguiria manter as regras visuais (cores e tipografia), as regras de texto (sem frases robóticas) e as regras técnicas (estrutura do arquivo de apresentação) separadas, mas trabalhando juntas?
Eu usei este prompt:
Preciso de uma apresentação de 5 slides sobre “O futuro do trabalho remoto”, baseada no conteúdo abaixo. Use três skills ao mesmo tempo para criar isso: Visual: use a skill brand-guidelines para o modelo dos slides, escolha de fontes e cores dos títulos. Conteúdo: use a skill ai-ism-editor para editar o texto e deixar a escrita natural e humana. Arquivo final: use a skill pptx para gerar o arquivo. [colei o rascunho completo do artigo]

Ele levou cerca de cinco minutos “pensando” para gerar o resultado. Um pouco demorado, mas até faz sentido, já que ele estava processando três camadas de instruções ao mesmo tempo.
E ele lidou com isso surpreendentemente bem. Gerou o arquivo em PPT, aplicou as cores principais da marca (escuro/claro/cinza) junto com as cores de destaque (laranja/azul/verde) e limpou o texto para ficar quase sem cara de conteúdo feito por IA.
Ele também puxou só os pontos principais, que é exatamente o que uma apresentação deveria fazer.
O ponto fraco foi o layout. No quarto slide, o texto ficou sobreposto, e alguns elementos mudaram do nada de alinhamento à esquerda para centralizado.

E, assim como no Teste #2, alguns clichês estruturais e travessões longos (em dash) passaram no meio.

Ou seja: o Claude não “quebrou” ao usar várias Claude Skills juntas — ele entregou o arquivo e seguiu a maior parte das regras. Mas a qualidade caiu um pouco porque ele precisou equilibrar três conjuntos de instruções ao mesmo tempo.
Os problemas foram pequenos, mas ainda exigiram ajustes manuais.
Primeiro: a configuração foi surpreendentemente fácil – principalmente porque eu peguei um atalho. Em vez de criar a Skill do zero, eu simplesmente pedi para o Claude fazer isso. E ele fez.
Eu não precisei mexer em arquivo JSON, escrever código ou enviar um ZIP manualmente. Funcionou direto, eliminando a maior barreira técnica.
Outra coisa que eu gostei muito é que o Claude finalmente “lembra” a maioria das minhas regras. Eu odeio ter que colar meu guia de estilo em todo chat novo ou ficar reexplicando quem eu sou e como eu escrevo.
Agora eu só digo “Use a skill ai-ism-editor”, e ele já sabe exatamente o que fazer. Isso resolve aquele problema clássico em que o Claude esquece o contexto inicial no meio da conversa.
E, sinceramente, a geração de arquivos também é uma grande vitória. A capacidade embutida de criar documentos do Word e slides no PowerPoint significa que eu recebo um resultado pronto para baixar – não só um textão que eu ainda preciso copiar e colar em outro app.
As Skills podem ser agressivas demais. No Teste #1, quando eu pedi um acento em Hot Pink, o Claude deixou quase tudo rosa.
Ele parou de aplicar bom senso e seguiu o override de forma cega, perdendo o equilíbrio visual que eu normalmente consigo com um prompt padrão.
Também percebi uma certa falta de atenção aos detalhes. No Teste #2, a versão com Skill ignorou algumas regras que eu tinha definido – como substituir travessões longos (em dash) – mesmo com o prompt manual acertando isso perfeitamente.
Minha impressão é que, quando você usa uma Skill, o Claude entende a ideia geral, mas começa a ignorar o “miúdo”.
Por fim, o tempo de espera foi irritante. Quando eu combinei três Skills no Teste #3, eu fiquei olhando a bolha de “pensando” por cinco minutos. No final deu certo, mas a pausa longa – somada aos ajustes manuais que eu ainda precisei fazer – quebrou o ritmo.
Deixou de parecer um chat rápido e passou a dar aquela sensação de estar esperando um software pesado carregar.
Minha principal conclusão é que as habilidades do Claude não são só “prompts salvos numa pasta” – elas funcionam como trilhos de segurança. Elas brilham especialmente quando você usa em tarefas repetidas, aquelas que eu chamo de tarefas para sempre.
Se você repete o mesmo fluxo toda semana – como gerar um relatório com um formato fixo ou revisar textos com um guia de estilo bem rígido – as Claude Skills são uma melhoria real.
Elas ajudam a manter consistência e evitam que você tenha que repetir as mesmas regras sem parar.
Mas vale ajustar as expectativas. Preste atenção nos detalhes. Como meus testes mostraram, as Skills costumam seguir bem a ideia geral da tarefa, mas podem deixar passar regras mais específicas.
Então é bom estar pronto para revisar o resultado e fazer pequenos ajustes manuais, principalmente em formatação ou escolhas de design.
Por outro lado, se você é o tipo de pessoa “resolve e nunca mais mexe”, Skills provavelmente não vão te ajudar tanto.
Se você usa o Claude mais para resolver problemas pontuais – como analisar logs de erro aleatórios, explicar algo na hora (“Explica essa query SQL”) ou transformar uma lista bagunçada em CSV uma vez só – as Skills não trazem muito ganho.
Os cinco minutos que você gastaria criando uma “skill perfeita de debug” são quatro minutos a mais do que simplesmente colar o erro e a documentação direto no chat.
Nesses casos, o atrito de criar a Skill pesa mais do que o benefício de começar um pouco mais rápido.
Minha avaliação final: 7/10
Meu veredito final? As Skills passaram no teste, mas com um porém: elas não são perfeitas e não são mágicas. Você ainda vai precisar de paciência e, de vez em quando, fazer um ajuste manual.
Mas só pelo conforto de nunca mais precisar colar um guia de estilo de cinco páginas… vale o “imposto” da configuração.
Todo o conteúdo dos tutoriais deste site segue os rigorosos padrões editoriais e valores da Hostinger.